quinta-feira, 8 de maio de 2014

Aniversários

            Na véspera do meu aniversário, minha esposa me disse que teria que passar a noite na casa da mãe dela. “Tudo bem, vou varar a madrugada escrevendo”, pensei. Tudo bem nada, fiquei um pouco chateado. Mas a escrita é a companheira do escritor nessas horas.
            Naquela silenciosa noite, sozinho, fiquei tentado a escrever um conto de terror... Batidas à porta. Quem bate à porta exatamente à meia-noite? Quem é?, pergunto. Não há resposta. Quem é?, insisto. Ninguém. Quem é? Quase que não atendo. Mas ainda bem que atendi, pois era o amor! O amor com um delicioso bolo de chocolate na mão.



            Mas mesmo com tantas alegrias para celebrar em minha vida, fico melancólico em meu aniversário.
            Minha mãe também sempre quer fazer festas-surpresa para o filhinho (de 39 anos agora), mesmo morando em outra cidade. Mas não adianta muito, pois quando eu digo que não poderei ir ao tal lugar da festinha, ela já vai revelando: mas você tem que vir pra sua surpresa. Algo assim.
            Por que fico melancólico? É porque não posso comemorar da forma como eu comemorava quando era jovem. Curtia bastante minhas festas, com banda no telhado e tudo. A questão não é apenas que eu não tenho mais idade para fazer uma festa dessas, em que o quintal amanhece com rolos de papel higiênico, lançados de ponta a ponta como serpentina de carnaval... 
            Afinal, a festa era legal por causa dos amigos. E claro que, graças a Deus, ainda tenho amigos ótimos. Mas não posso mais comemorar exatamente da mesma forma, porque um dos meus melhores amigos, o Felipe, não está mais aqui para isso. A gente fica meio que egoísta no aniversário. Pensa que é um dia especial. Quer que as pessoas que amamos estejam ao nosso lado... Todas elas. Mas como? Às vezes, a distância é grande demais... Qual a distância entre a terra e o céu? E quantos aniversários ainda queríamos que anjos como Hikaru fossem comemorados aqui, com a gente, e não no céu?

          
           Ontem à noite, quando fui dar aula na Oficina de Criação Literária, estava pensando sobre essa distância. Sempre compartilhamos o que escrevemos durante nossos encontros. Naquela aula, emocionei-me com várias histórias sobre anjos... Também saboreamos uma bela crônica sobre um bolo... que de tão boa logo pudemos sentir o delicioso aroma. Cantaram parabéns pra você (pra mim, né). Fiquei emocionado, pois foi realmente uma surpresa. Da minha mãe e da minha esposa, o coração já está sempre preparado para receber carinho, do tipo surpresa ou não. Mas meus alunos só me conheciam por pouco mais de um mês. E eu nem sabia se eles gostavam das minhas aulas! Agora, acho que gostam. Espero que tanto quanto gostaram do bolo, que desapareceu tão rápido quanto surgiu. Tudo bem, sem exageros. Só gostando um pouco tá bom.
            Já ao final do dia do meu aniversário, minha esposa foi me buscar em sua moto. Enquanto o vento falava comigo, lembrei-me de uma coisa. O sobrenome da minha aluna que havia trazido o bolo era... Felipe.
            Se a distância é grande, os anjos dão um jeito de nos mandar um belo cartão...




Muito obrigado!!!
Vocês ainda vão ouvir falar muito do talento de:

Bárbara Mangieri
Carla Mirela
Cibele Mendes
Isabela Cristófaro da Silva
Juliana de O. Borges
Marcia Ap. Marques de Moraes
Mayara Amaral Pazeto
Nitiayne Mille Takemoto
Rogério Heitor Carraro
Sabrina Fagundes
Silvana Helena da Silva Felipe


E também Andy Ferreira e Fernanda Lucena!

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